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COLÉGIO NAVAL Suspendemos da Praça Barão de Ladário, sede do 1º Distrito Naval. Éramos quase duas centenas de jovens idealistas distribuídos nos ônibus da EVAL, rumo a Angra dos Reis. Nosso primeiro "comboio", portanto, foi terrestre, e foi nele mesmo que aprendemos a primeira palavra do linguajar naval "MAREAR". Quem não se lembra do "catanho" que recebíamos ao embarcarmos nos ônibus da Eval? Certamente ninguém tem saudades daquela garrafinha de laranjada, acompanhada por um sanduíche de mortadela! O caminho para Angra, naquela época, era seguir pela Rodovia Presidente Dutra (Rio de Janeiro/São Paulo) até a altura de Barra do Piraí, onde guinávamos a bombordo, em direção ao 1º e único porto de atracação, localizado na cidade de Passa Três. Essa primeira pernada durava cerca de duas horas e meia, num total de aproximadamente quatro horas. Os "timoneiros", devido a sinuosidade da derrota, só conseguiam desenvolver o "Plano de ZIG-ZAG de pernadas curta", para desconforto geral dos então alunos do Colégio Naval. Durante todo o ano de 1974, aquele foi nosso caminho, pois em 1975 inaugurava-se a Rio-Santos, fato que nos fez vibrar por ter diminuído em duas horas nossa antiga pernada por Passa Três. Aquela primeira viagem foi um misto de descontração e nervosismo, porém transcorrida dentro da normalidade. Chegávamos, enfim, ao "Porto" de destino - Colégio Naval na Enseada Batista das Neves. A recepção, realizada pelos veteranos do 2º ano, foi nossa primeira certeza de que a coisa não seria bem como imagináramos. - Desçam rápido! Acelerado aluno! - Entrem em formatura por dois! - Volta ao papo! - Sentido! Cobrir! Firme! Descansar! Esses foram os primeiros comandos aprendidos, que passariam a nos acompanhar pelo resto de nossas vidas. Aquelas enérgicas vozes de comando eram entoadas por "pequenos homens" trajando camisa e bermuda cinza e calçando sapatos e meias pretas. Considerando que jamais tínhamos visto jovens de nossa idade naqueles trajes, nos pareceu no mínimo engraçado. Alguns de nós não conseguiram conter o sorriso maroto, sendo logo questionados por aquelas "criaturas" - Tá rindo de que, aluno? Antes de qualquer resposta, a ordem: - Desce! paga Dez ! Logo logo, recebíamos ansiosos nossos uniformes. E aqueles "trajes", inicialmente ridículos, transformaram-nos em "Alunos do Colégio Naval", o que muito nos orgulhou. É claro que demoramos algum tempo para perceber da necessidade de uma disciplina tão rígida. Pode-se imaginar em reunir cerca de quatrocentos jovens adolescentes sob o mesmo teto, sem um mínimo de ordem? Aos poucos fomos compreendendo a "VOGA". Naquela época levávamos um ano para compreender e o outro para fazer compreender. Seguramente todos nós temos boas lembranças do querido Colégio Naval e, por isso, temos por ele um carinho muito especial. Em dois anos, a maioria vencia a 1ª etapa da carreira rumo a tão sonhada posição de Aspirante da Escola Naval. Alguns poucos, por diferentes razões, ficavam para trás, tendo que realizar o curso em três anos. Era a tão temida repetência, originada e influenciada, talvez, pelos apelos sugestivos da cidade de Angra dos Reis e da cidade de Passa Três, que tanto marcou nossas pernadas terrestres. Nem por isso, o pessoal do "Repame" deixou de ser bem vindo à Associação da Turma Alexandrino. Inclusive, muitos que hoje labutam na vida civil, já estão associados. Enfim, o Colégio Naval representou momentos bem vividos de nossas vidas. Quanta saudade! ESCOLA NAVAL, aí vamos nós! 1976 - Fevereiro - Adaptação Agora iniciávamos realmente um novo ciclo rumo ao sonho de nos tornarmos oficiais da Marinha. Um, dois, três, quatro! Quatro, três, dois, um! Quero chope! Mais chope! Assim entoávamos o côro principal regido pelos adaptadores, quando corríamos até a "piroqueta", na enseada de Botafogo. Hoje, esse mesmo côro entoamos em nossas reuniões de turma com a mesma alegria e prazer daqueles tempos. Escola Naval - ILHA DE VILLEGAGNON - Rio de Janeiro. Era esse o ponto que nos diferenciava das outras Escolas Militares. Não éramos melhores nem piores do que nossos amigos "milicos" e "urubus". Éramos, apenas, diferentes. Estar mais próximo da família significava, então, não mais receber ordens de nossos pais, mas simplesmente o seu apoio. Os bodes passaram à condição de semi-bodes tamanha a capacidade de se embrenharem na casa das namoradas. Ao primeiro sinal da pseudo-sogra acenando com um futuro casamento, pulavam fora com a mesma facilidade que arrumavam outra "base". Nem todos, obviamente, conseguiram se safar. Mais quatro anos juntos. Mais maduros, mais experientes. Mas ainda jovens, muito jovens. Prontos a lutar pelo nosso ideal. Novas amizades surgiram com o ingresso dos aspirantes oriundos de concurso, hoje, conhecidos na turma como "QC", apelido carinhoso, dado pelos que passaram pelo Colégio Naval. Passado o 1º ano, considerado decisivo, os outros foram de "leva à riba", porém marcados por bons momentos. Éramos felizes e não sabíamos. Costuma-se dizer. Adaptação, calouro, suga, silêncio, trote, peitômetro, prefixo, espadim, hidráulica, estudo obrigatório, rancho, soldo, formatura, boa apresentação, desfile, serviço, chefe-de-dia, licença, golpe, parte de ocorrência, audiência, impedimento, teste, prova, bizú, boi, vista de prova, dependência, esporte, equipe, viagem, NAVAMAER, oficial-aluno, mestre, pemba, OSCA, COMCA, patescaria, Dia do COMCA, JURUPACA, baile, garotas, marafas, xales....... Foram quatro anos administrando o significado de cada uma dessas palavras. E quão saboroso foi vencê-las. GUARDA-MARINHA 13 de DEZEMBRO de 1979 Essa data traduz-se num dos dias de maior emoção em nossas vidas. Na verdade o que ela representava aquele momento era o passaporte para a tão sonhada "viagem de instrução" que se traduzia em dólares, garotas, portos e aventura. Depois disso estaríamos prontos para qualquer combate. Viagem de Instrução - 1980 Cada um de nós tem um pedaço desse grande momento que foi a nossa viagem de instrução - GM 1980. Ela sempre constar da pauta de assuntos de qualquer reunião de turma. E assim nos tornamos a TURMA ALEXANDRINO. OFICIAL AGOSTO - 1980 - Nomeação a 2º Tenente. Hora da verdade! Designações, movimentações, foras-de-sede. Chegava a hora da separação. Após anos e anos dividindo espaços e cumprindo as mesmas rotinas, a Marinha clamava pela nossa presença em diferentes pontos do país. Lá fomos nós, "Quatis" e "Fobós", rumo à nossa primeira comissão, porém, nada para o qual não estivéssemos preparados. Sabíamos que onde quer que fôssemos servir, sempre haveria um colega de turma. E assim tem sido. Passados mais de vinte anos de carreira, resta-nos a devoção e o agradecimento a nossos pais, esposas, filhos e mestres, por terem conosco trilhado cada passo. A eles devemos o nosso sucesso. Aos colegas que se foram, nossas eternas homenagens. Quando alunos, Aspirantes e Guardas-Marinhas tivemos e realizamos muitos sonhos em comum. Como oficiais ainda os temos. Mas o maior deles é ter a certeza de que o patrimônio que construímos, palmo a palmo e com muito sacrifício ao longo desses anos, jamais será depreciado. Esse patrimônio é constituído da TURMA ALEXANDRINO e da nossa amizade. Aos ALEXANDRINOS, que, ao lerem essas poucas palavras perceberem algum tipo de emoção, tenham certeza que são autênticos e verdadeiros ALEXANDRINOS. E não se esqueçam, a Associação é o nosso elo de ligação. Portanto, é dever de todos preservá-la! PAPA ALFA. |